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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Capítulo 1 - O inicio da era das trevas - Terceira cena (1600)

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   Era a noite que as estrelas dançavam ao luar, espalhadas por todo o céu, sem nuvens, com seus brilhos quase ocultados pela grande imagem da lua, que refletida nas águas do rio, parecia um grande espelho da vida. Um largo córrego, águas tão transparentes e puras, podia se contar pedras em suas margens, pequenos cristais respondiam ao canto da lua, brilhando no fundo das águas disputavam o brilho das estrelas. O silêncio naquelas matas, era assustador, a floresta estava de luto aos acontecimentos daquela noite, a mãe natureza estava incapacitada de qualquer manifesto, mais uma vez o destino da vida neste mundo dependia do homem. Homens e mulheres de origem maculada pelo homem mas pura pelo espírito. Partes da natureza, ainda não afetados pela ganância do mundo dos homens. Índios, da tribo Talerono, ou sombra da lua – na língua dos brancos – festejavam as frutas sempre doces encontradas nas matas, suas caças tão gordas, e sempre iluminadas pela graciosa luz da lua. Os índios preparavam oferendas para a Deusa da Lua, Tacera. Os Xamãs Espirituais de todas as aldeias daquela região felicitavam os incontáveis ciclos da lua, ao qual sua graciosa filha, que levava em seu corpo mortal a alma da Deusa, havia concluído. Vestidos em grandes saias de palha, mascaras de madeira rústica, apenas furos para os olhos, tatuagens feitas com tintas metálicas tiradas da mistura dos elementos da terra e plantas, banhados pela longa e suave luz da lua, brilhavam em prata sobre aquela penumbra. Estes homens dançavam em volta de uma grande fogueira, ao centro da aldeia principal. As mulheres não podiam participar dos rituais, os homens temiam que elas fossem seduzidas pelo espírito maligno da aprovação final, que provaria que não existia ser puro em toda a existência. A bela dama surgiu então, seu corpo nu, repleto de tatuagens da Deusa da lua, que pareciam contar histórias em seu corpo, tatuagens vivas pela luz do luar, em um corpo semitransparente devido a tantas luzes que se chocavam contra ela. Era a mais bela e pura mulher de todas as existências da vida humana.
   Seus passos não eram humanos ou de um animal, tão graciosos e precisos como os de uma pantera que desfila em pleno luar, e sedutores como os de uma fêmea ao selecionar um macho para o acasalamento, ela se aproximou dos xamãs, que a rodearam, não me recordo se eram cinco ou mais, em olhos humanos normais nenhum poderia ser visto, ou milhares poderiam existir. Ela gritou de dores para os céus, seus longos cabelos logo soltaram as amarras que os prendiam, um forte vento espiritual soprou em seus seios, os homens se afastaram dela, correndo para se refugiarem em suas cabanas, dali adiante nenhum mortal poderia participar do fim da cerimônia. A lua estava em prantos, o brilho das estrelas estavam sendo apagados um a um, a grande lua perdia o seu brilho, deixando as chamas da grande fogueira azulada. Não se houvia mais respirar de animais ou homens, nem mesmo o da bela jovem que parecia sofrer dores por todo o corpo.
   Uma estranha neblina estava sai da floresta, apagando qualquer outro foco de fogo, menos o da grande fogueira azulada. Os espíritos dos mortos há muito tempo naquelas terras choraram, e a vida sempre tão pacífica não havia se preparado para aquele momento.
   O fogo ficou cada vez mais forte, e a neblina cobriu todo o solo, mas não conseguia tocar a jovem.  Algo estava por vir, as lagrimas da jovem não tocam o chão, nem se perdem pelo ar, lagrimas da alma – sussurra uma voz – seu espírito triste chora por tudo que se perdeu em toda a existência da vida. As chamas da grande fogueira se dividem, e se chocam contra o chão. Podia-se ouvir o choro de desespero de centena de pessoas, quando as chamas mais uma vez se uniram. Um som agudo estremece a terra, derruba folhas de arvores, e abrem um caminho entre as chamas. Os olhos tristes da jovem conseguem ver o sofrimento do outro lado, ela clama pelo perdão daquelas almas, e um homem caminha sobre elas.
   Sons vindos das profundezas do inferno, seguidos de passos secos sobre a madeira inexistente de almas que se formava abaixo dos seus pés.
       –     ENTÃO ÉS TU QUE CLAMA PELAS ALMAS A MIM CEDIDAS PELO PRÓPRIO DEUS? ENTÃO ÉS TU A JOVEM FILHA DA LUA?risos ecoam pelas árvoresCOMO OUSA ME DIZER QUE ÉS PURA SE É UMA FILHA DE HOMENS?o homem vira seu rosto de lado, e com uma grande escarrada cospe sobre uma das almas que agoniza de dor abaixo dos seus pés.
O rosto do homem não podia ser visto, ele estava com um grande livro de capa de couro, costurada, ele o carregava em seus braços.
       –     Então você é a criança mais adorada pela criação? – Voz tão doce e suave como uma melodia, ela se levantou e andou em direção ao homem, afastando toda a neblina sobre seus pés – Não irei discutir com criatura e existência de origem tão lastimável, apenas me entregue o livro que não deve ser aberto, que lhe provarei o valor do homem quanto ao pecado. – A jovem estica seu braço direito em direção a silhueta do homem, e abre a mão. – Lhe garanto que nunca mais ira pisar seus pés sobre o solo sagrado em que vivem os homens, e que viverei eternamente até a morte da profecia.
       –     SE É O QUE ME PEDE, LHE CONCEDEREI O PRAZER DE DESTRUIR TODA A HUMANIDADE. – Sorriu – SE É O QUE ME PEDE, NÃO SEREI EU MAIS UMA VEZ A MUDAR O DESTINO DA HUMANIDADE, POIS ESTOU FAZENDO O MEU PAPEL, NÃO INTERFERINDO NA VONTADE DO HOMEM.
   Ele esticou o braço, que queimava ao passar pelas chamas, a jovem tocou a capa do livro. O peso e a dor sentida naquele momento foram tão grandes, que ela acordou um ano após tal incidente.
   O livro não foi o único presente deixado pelo homem misterioso, à ganância do homem branco e a corrupção do povo daquela tribo, trouxe a morte de muitos, pessoas inocentes eram mortas, pelos séculos que se seguiam, homens e mulheres tentaram abrir aquele livro, mas nenhum deles obteve sucesso, conta-se que décadas a frente a jovem usou da ajuda dos espíritos dos homens e mulheres que tentaram abrir o livro para construir um enorme templo subterrâneo, protegido por criaturas espirituais de enorme poder, e pela pureza da jovem. Os antigos contam, que um homem a fez abrir o livro, e que ela sacrificou seu corpo mortal para apagar de toda existência tal templo, materializando o seu espírito que viveu eternamente sobre aquela terra a tentar fechar o mesmo livro, e impedindo os viajantes que eram atraídos pela sede de almas do livro de se aproximarem.
   As forças da jovem não foram suficientes para salvar todos aqueles desavisados, e após alimentar-se de uma certa quantidade de almas uma enorme expansão de trevas consumiu toda aquela mata, eliminando toda a vida por ali. Os sinais que apareceram durante todo o ciclo de vida daqueles tempos até os tempos atuais, são uma pequena amostra da pureza da jovem tentando se sobrepor em meio a toda maldade que ali reinava.
       –     A cidade que ficava sobre essas terras, teve vida e fartura, mas a ganância do homem quebrou mais uma vez a pureza da jovem, e o livro alimentou-se mais uma vez. A Vila das Almas, foi criada por todos aqueles que não conseguiram sair da cidade, mas que por azar do destino não morreram naquele incidente. – Sussurra o velho – Aqueles que entram nessas terras jamais conseguem voltar para casa.

Um comentário:

Ruani Fernando disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk não vou ler mais com as musicas de lord of the rings kkkkkkkkkkk, estou com medo de petro city >.< hahshahhah to curtindo o desenrolar da trama, vamo q vamo PV ^^